Conheça a Raízen, empresa que opera os postos Shell no Brasil e pediu recuperação extrajudicial

Empresa negocia reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e busca apoio de credores para homologação do plano na Justiça.  Tempo de leitura: 3 minutos.

Após anunciar nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas e reorganizar sua estrutura financeira, a Raízen afirmou que suas operações seguem normalmente.

A companhia atua de forma integrada no setor de energia, com negócios que vão da produção de açúcar e etanol à distribuição de combustíveis.

⛽ A Raízen foi criada em 2011 como uma joint venture entre a Cosan e a Shell, combinando as operações de produção de açúcar e etanol da Cosan com a rede de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil.

O acordo foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2012. Na época, a companhia foi avaliada em cerca de US$ 12 bilhões, com participação dividida igualmente entre as duas sócias.

🎋 O nome Raízen surgiu da junção das palavras “raiz” e “energia”, em referência à origem da empresa no setor sucroenergético e à atuação no mercado de energia.

Atualmente, a companhia atua em diferentes frentes do setor.

  • Produção de energia e biocombustíveis: produz açúcar, etanol de primeira e segunda geração, bioeletricidade e biogás.
  • Distribuição de combustíveis Shell: é responsável pela distribuição e comercialização da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.
  • Atuação no Brasil: abastece postos da rede Shell, aeroportos e clientes corporativos, como empresas de transporte, agronegócio, mineração e indústria.
  • Infraestrutura logística: conta com 68 bases de abastecimento em aeroportos e mais de 70 terminais de distribuição de combustíveis, que permitem atender todas as regiões do país.

⛽ A Raízen também atua no abastecimento de companhias aéreas e da aviação executiva, além de oferecer soluções voltadas ao mercado corporativo, como sistemas de gestão e controle de abastecimento de frotas.

No varejo, a Raízen administra as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, instaladas em postos de combustíveis. Também mantém iniciativas voltadas à digitalização e à mobilidade, como o Shell Box, aplicativo que permite pagar abastecimentos pelo celular e participar de programas de fidelidade.

Nos últimos anos, a empresa também ampliou investimentos em projetos ligados à transição energética, incluindo iniciativas de energia solar, produção de biogás e desenvolvimento do etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar.

A expansão internacional ganhou força em 2018, quando a companhia adquiriu ativos de refino e distribuição da Shell na Argentina e passou a atuar também no Paraguai.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, a Raízen conta atualmente com mais de 46 mil funcionários e cerca de 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.

Na bolsa brasileira, as ações da Raízen são negociadas sob o ticker RAIZ4, que indica ações preferenciais (PN). Esse tipo de papel prioriza o recebimento de dividendos, mas geralmente não dá direito a voto nas assembleias. Na B3, ações preferenciais costumam terminar em 4.

  • 📈 Nos últimos anos, as ações da Raízen acumulam queda de 70,11%, em meio ao aumento da pressão financeira sobre a companhia. Nesta quarta-feira, os papéis abriram em queda: por volta das 10h25, RAIZ4 caía 3,85%, cotada a R$ 0,50. Em 2026, a desvalorização já chega a 35,80%.

Atualmente, o valor de mercado da Raízen é de cerca de R$ 5,38 bilhões.

A Cosan é controlada pelo empresário Rubens Ometto e sua família por meio da Aguassanta, embora tenha ações negociadas na B3 e conte com investidores minoritários.

No ano passado, a Aguassanta Participações, holding que reúne os investimentos da família Ometto, firmou acordos com os fundos BTG Pactual e Perfin para um aporte de capital na Cosan.

A operação tinha como objetivo ajudar a reduzir o endividamento do grupo. Pelo acordo, a Aguassanta manterá os direitos de voto na companhia.

Com fortuna estimada em US$ 1,5 bilhão, Ometto é o 50º brasileiro mais rico, segundo a Forbes, e ocupa a 2.588ª posição no ranking global de bilionários.

Fonte: G1