Casa dos Ventos fecha maior contrato da história com chinesa ByteDance no Ceará

O negócio prevê o fornecimento de energia para o empreendimento que está sendo construído no Complexo do Pecém. Tempo de leitura: 2 minutos.

O avanço do maior data center atualmente em desenvolvimento no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo estratégico. A Omnia, plataforma de data centers hyperscale do Pátria Investimentos, fechou com a geradora renovável Casa dos Ventos um contrato de fornecimento de energia para o empreendimento que está sendo construído no Complexo do Pecém, no Ceará, para a chinesa ByteDance, controladora do TikTok. Trata-se do maior contrato de autoprodução de energia renovável da América Latina.

O acordo, avaliado em cerca de US$ 2 bilhões e com prazo de 20 anos, garante a estrutura energética para a primeira fase do projeto, que terá 200 megawatts (MW) de capacidade de tecnologia da informação e consumo estimado em aproximadamente 300 MW de energia elétrica.

A energia será fornecida principalmente pelo complexo eólico Ibiapaba, empreendimento de 630 MW que está sendo construído pela Casa dos Ventos no Ceará. Parte menor da demanda será atendida pelo parque eólico Dom Inocêncio, no Piauí.

O modelo escolhido foi o de autoprodução de energia, no qual grandes consumidores tornam-se sócios dos ativos de geração elétrica. A estrutura garante vantagens tarifárias, redução de encargos e maior previsibilidade de custos — um fator considerado crítico para operações intensivas em consumo energético, como data centers hyperscale.

Expansão da Casa dos Ventos

A assinatura do contrato também impulsiona os planos de expansão da própria Casa dos Ventos. A empresa prevê acrescentar 2,1 gigawatts (GW) em capacidade renovável, com investimentos estimados em R$ 11 bilhões. Segundo a companhia, este é o maior contrato já firmado pela geradora com um único cliente.

“Os data centers são nosso principal segmento de crescimento”, afirmou Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, ao destacar a expansão da demanda energética provocada pela nova economia digital.

A Omnia informou que as obras do empreendimento começaram em janeiro deste ano e que a entrada inicial em operação está prevista para o terceiro trimestre de 2027. A expansão ocorrerá gradualmente até 2029.

O projeto também reforça uma transformação estratégica do Nordeste brasileiro. A região, que já concentra parte relevante da geração renovável do País, passa agora a atrair operações globais de infraestrutura digital de alta densidade energética, aproveitando a combinação entre energia limpa, disponibilidade territorial, cabos submarinos e zonas de processamento de exportação.

Nos bastidores do setor, o movimento é interpretado como mais um sinal da crescente corrida global por capacidade computacional, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, serviços em nuvem, plataformas digitais e processamento massivo de dados.

Fonte: Movimento Econômico