Meta de triplicar renováveis vai exigir expansão 1,1GW ao ano, diz Irena

Relatório calcula que investimento terá de ser de, pelo menos, US$ 1,4 tri para alcançar a meta estabelecida na COP28, em Dubai

Relatório divulgado na última terça-feira (14/10) pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) mostra que será preciso adicionar 1,1 GW em capacidade instalada por ano para alcançar a meta de triplicar as renováveis para 11,2 TW até 2030. Isso significa manter um crescimento anual de 16,6%, em vez dos 16,1% estabelecidos para a trajetória, que foi definida na primeira edição do documento, apresentada durante a COP28, em Dubai.

O relatório calcula que será necessário ampliar os investimentos em renováveis em, pelo menos, US$ 1,4 trilhão ao ano nos próximos cinco anos. Isso é mais que o dobro do valor investido no ano passado, de US$ 624 bilhões.

A nova versão do documento, divulgada na reunião preparatória da COP30, em Brasília, mostra que em 2024 a expansão das renováveis atingiu 581,9 GW. O número representa crescimento de 15,1%, com aumento de 0,7 ponto percentual em relação aos 14,4% registrados em 2023.

Também aponta a necessidade de ações urgentes para integração das metas de crescimento das fontes renováveis às contribuições nacionais para o clima (NDC 3.0) na COP30, em Belém. E considera necessário dobrar a ambição coletiva das NDCs para alinhá-las à meta global de renováveis.

Redução da lacuna

“Se os números que nós coletamos no final de outubro forem confirmados no final do ano, em 2025 nós estaremos prontos para estabelecer um novo recorde de capacidade de renováveis, que pode ser próximo a 750 GW,” informou o Diretor-Geral da Irena, Francesco La Camera.

Para o executivo, a trajetória mostra que há uma redução da lacuna entre onde o setor está onde deverá chegar para alcançar a meta. Em 2023, segundo de La Camera, a expansão estava cerca de 1,5 TW atrás do objetivo. Agora, está abaixo, com 0,9 TW. “Isso significa que da próxima vez que chegarmos a 750 GW, essa escala vai ser reduzida.”

O presidente da Aliança Global de Renováveis, Bem Backwell, lembrou que grande parte do investimento vem do setor privado. Somente nos seis primeiros meses de 2025, o valor investido em novos projetos é estimado em US$ 800 bilhões.

“Para enfatizar o que Francisco falou, entre o triplicar que nós concordamos em Dubai, COP 28, e onde nós estamos agora, ainda tem uma lacuna. Mas essa lacuna, nós estamos fechando pouco a pouco,” reforçou.

De acordo com Backwell, Índia, países da União Europeia, Inglaterra, China e o Oriente Médio estão acelerando os investimentos em renováveis. “E essa aceleração, em muitos casos, não tem nada a ver com política, é simplesmente que a gente está muito mais competitivo que as alternativas. Pelo menos no setor elétrico, 80% dos projetos são mais competitivos do que projetos de energia fóssil,” disse, completando que 90% de tudo o que se instalou na matriz elétrica no ano passado foi de empreendimentos renováveis.

O executivo reconhece que o investimento em energia limpa ainda está bastante concentrado em algumas regiões do planeta e em alguns países grandes. O desfio é trabalhar para ter esse mesmo nível de investimentos em regiões como a África e o Sudeste Asiático.

Crescimento aquém do necessário

O relatório da Irena mostra que, apesar da expansão recorde no ano passado, a taxa de crescimento das renováveis está aquém do necessário para atingir a meta projetada. A previsão é de que se a taxa atual se mantiver pelos próximos cinco anos, a capacidade somada ficará em 10,3 TW. O valor é 0,9 TW (7,7%) menor que o objetivo estabelecido em Dubai.

A diferença é maior que o total instalado em 2024 em todo o continente americano e no Caribe. “Desde que a capacidade de adições em 2023 e 2024 não alcançou a taxa de crescimento necessária de 16,1%, a capacidade das renováveis tem que expandir agora mais rápido (16,6% anualmente) nos seis anos restantes da década para entregar 6,7 TW de capacidade instalada de geração renovável, ” afirma o documento.

A energia solar fotovoltaica respondeu no ano passado por mais de três quartos das adições de renováveis em 2024, com 452.1 GW. O resultado é 27% maior que o de 2023 e o mais alto crescimento anual de qualquer tecnologia renovável em um único ano. A energia eólica vem em segundo lugar, com 114.3 GW (a maior parte onshore);seguida de hidrelétrica (excluindo usinas reversíveis), com 9.3 GW.

Entre todas as renováveis, apenas a solar cresceu nos últimos dois anos no nível necessário para triplicar a meta. O estudo da Irena informa que o crescimento das fontes eólica e hídrica deve ser três vezes maior.

Eficiencia energética

O documento conclui ainda que alcançar a meta estabelecida na COP-28 de dobrar a eficiência energética até o fim da década é um complemento crucial à meta de triplicar as renováveis. Para alcançar esse objetivo e necessário adotar tecnologias, mudanças estruturais e comportamentais, e acelerar medidas de eficientização nas atividades fins de todos os setores.

Nos últimos dois anos, os níveis de eficiência cresceram em torno de 1% , bem abaixo dos 4% anuais, necessários para cumprir a meta global de eficiência energética entre 2022 e 2030. Com o resultado, o aumento da intensidade energética deve crescer terá que crescer pelo menos 5% ao ano entre 2025 e 2030. O que envolve políticas transversais e coordenação entre um grande número de atores públicos e privados na implementação de politicas, padrões mínimos e rotulagem, além de financiamento.

FONTE: CANALENERGIA